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Comunidade Católica Pequeno Rebanho Celebra 20 Anos de Evangelização

Conduzidos e inspirados pela Palavra de Deus em Atos dos Apóstolos, especialmente nos capítulos 2 e 4, que descrevem as novas comunidades, os missionários da Comunidade Católica Pequeno Rebanho se preparam, com muita alegria, para vivenciar um ano jubilar.

No dia 7 de janeiro – data de sua fundação –, às 19:30, o vigário episcopal para Vida Consagrada e Novas Comunidades, Dom Roberto Lopes, presidirá a missa em ação de graças pelos 20 anos de vida fraterna, na Casa de Evangelização e Acolhimento, mais conhecida pelos membros como ‘Aprisco’, que fica na Travessa da Generosidade, 162, na Vila da Penha.

História

Fruto do Grupo de Oração Bom Jesus, da Paróquia Bom Jesus da Penha, a Comunidade Católica Pequeno Rebanho foi fundada pelo casal Alexandre Bastos da Cunha e Andréa Rocha Bastos da Cunha, que, a princípio, não tinham nenhuma pretensão ou ideia de constituírem uma nova comunidade, mas, sim, um forte desejo no coração de vivenciarem o mais próximo possível o que relata o livro dos Atos dos Apóstolos (Capítulo 2, 42-47): “Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações. De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém, e o temor estava em todos os corações. Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. Unidos de coração, frequentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros, que estavam a caminho da salvação”.

“A Andréa já tinha uma caminhada de Igreja e, por causa dela, eu também fiz uma experiência com Deus através do Seminário de Vida no Espírito, realizado no grupo de oração da paróquia. Nós não tínhamos nenhuma ideia e nem a intenção de fundar nada até porque não sabíamos da existência desse tipo de realidade dentro da Igreja há 20 atrás, embora ela já existisse. Após ganhar e ler o livro ‘A Bíblia no meu dia a dia’, do monsenhor Jonas Abib, comecei a fazer o diário bíblico, e ao chegar em Atos dos Apóstolos fiquei incomodado porque via ali uma realidade que desejava viver, mas que embora os locais por onde passávamos fossem maravilhosos, não conseguia encontrar. A partir daí partilhei esse desejo do meu coração com o nosso núcleo do grupo de oração: de viver a fraternidade entre os irmãos e de ter tudo em comum”, disse Alexandre.

Pequeno Rebanho

De acordo com Andréa Rocha, o desejo do casal partilhado com o primeiro grupo não foi pra frente, mas a inspiração permaneceu no coração. Experientes e atuantes na Escola de Evangelização 2000, propôs à coordenadora do grupo de oração que ela e seu esposo realizassem uma formação para os servos, o que acorreu durante aproximadamente um ano.

“Iniciamos esse período de formação com 90 pessoas e terminamos com 12 participantes. Próximo do fim desse tempo formativo, o Alexandre partilhou esse desejo de ter tudo em comum e de viver a radicalidade do Evangelho, e esses 12 que ficaram nos questionaram sobre como seria isso, mas nem nós sabíamos o que era. Com isso, continuamos nos reunindo, e logo após um recesso de fim de ano, ao retornarmos no dia 7 de janeiro, o grupo já voltou dizendo: ‘vamos para a comunidade’”, contou Andréa.

Alexandre Bastos também partilhou como o nome da comunidade foi escolhido:

“Nesses encontros periódicos que tínhamos, tanto por palavra de profecia e até mesmo na confirmação do texto bíblico, algumas vezes saiu o texto de Lucas 12, 32, que diz: “Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino.” Nós nunca tivemos um discernimento para a escolha do nome da comunidade. Quando começamos um caminho para discernir uma nova comunidade, a Andréa nos recordou dessa passagem, e já sabíamos que o nome era Pequeno Rebanho”, ressaltou.

Vocações

A Comunidade Católica Pequeno Rebanho nasceu no coração dos leigos, e ainda hoje a maioria de seus 80 membros, entre consagrados e os que estão nas etapas formativas, são leigos de diversas idades e realidades: solteiros, casados e celibatários. Neste Ano Vocacional Sacerdotal, um grande fruto da comunidade é o padre Rodrigo Vieira, pároco da Igreja São José, em Santa Cruz, que chegou na Pequeno Rebanho com 16 anos, e no percurso formativo para o carisma também descobriu a vocação sacerdotal, e hoje serve a todo o povo de Deus na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

“A Comunidade Católica Pequeno Rebanho é um lugar que eu descobri a Deus e é onde eu descubro Deus a cada dia. Ela faz parte da minha vida há 18 anos, e pra mim é um lugar onde eu tive e tenho, até hoje, as maiores experiências do cuidado, do amor e da misericórdia de Deus na minha vida. Eu me entendo como Rodrigo quando eu me entendo como Pequeno Rebanho. Eu entendo o padre Rodrigo a partir do carisma Pequeno Rebanho. Logo, ela é um grande dom de Deus pra mim, ela é a força de Deus no meu ministério, na minha vida pessoal e no meu encontro com Deus. Falar da Comunidade Pequeno Rebanho, acima de tudo, é reconhecer que Deus quer se utilizar da minha pequenez para manifestar a glória d’Ele e que a minha humanidade não é mais um impedimento, mas a via, o caminho que Deus escolheu para manifestar o seu amor a mim, àqueles que Ele colocou na minha vida, a toda Humanidade e à Igreja. É um lugar onde o Pai se revela como um Deus de misericórdia que não se cansa de se abaixar e vir de encontro a minha pequenez, e de me erguer e fazer sonhar ousadamente com a glória dos céus que é o lugar dos pequenos”, afirmou padre Rodrigo Vieira.

Carisma

Ao falar do carisma da comunidade, Alexandre ressaltou que a alegria é o elemento fundamental para o anúncio do Reino de Deus.

“Como o nosso carisma está baseado na passagem de Lucas 12, 32: “não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino”, a gente não consegue entender um presente deste tamanho sendo recebido e o presenteado não ter alegria e muito menos não comunicar. Você está ganhando o Reino de Deus! Como é que você vai comunicar isso se não for com muito júbilo e entusiasmo? Então, a alegria é o componente indispensável na vivência da comunidade, e isso está no nosso mistério cristológico: comunicar o Reino de Deus a outros pequenos herdeiros com alegria”, destacou.

Celebrações

Perseverantes ao longo de duas décadas, a Comunidade Católica Pequeno Rebanho fará de 2019 um ano celebrativo. Além da Santa Missa em Ação de Graças com Dom Roberto Lopes, os missionários terão a oportunidade de participar de uma Celebração Eucarística com o arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta; promoverão, no dia 19 de janeiro, uma noite de Adoração com a participação da Comunidade Bom Pastor; no dia 26, uma Tarde com Nossa Senhora, entre outras atividades ao longo do ano. Emocionados, os fundadores Alexandre e Andréa Bastos falaram sobre os sentimentos que trazem nesses 20 anos de caminhada.

“Deus não viu minha miséria, minha humanidade como empecilho e barreira. Eu sei quem eu sou, eu sei de onde Deus me tirou, sei o barro que eu sou. E Deus não recusou minha humanidade. Ele acreditou nela e ainda acredita, pois a salvação é destinada à realidade da Humanidade. Ele não me excluiu disso, e eu talvez não me escolhesse conhecendo a minha pequenez. É uma realidade de ser profundamente amado como filho, e a gente enxerga isso também dentro da comunidade pelo carisma que Deus nos dá. Reconhecemos essa preferência d’Ele pelos pequenos. Fico muito feliz de saber que Ele assumiu a Humanidade para me tornar também filho de Deus, e esse é o amor que eu experimento concretamente nesses 20 anos de Pequeno Rebanho. Isso mudou a minha vida”, testemunhou Alexandre.

“Deus utiliza da minha humanidade para tocar outros pequenos e isso é uma graça muito grande. Ele me permite encarnar um novo Natal a partir da minha vida para que outros possam experimentá-lo e isso é maravilhoso. Ele olhou para mim e achou graça, viu graça em mim, e isso é encantador de um Deus que olhou para alguém tão pequeno e se encantou, não porque ele tem méritos ou capacidades, mas Ele se encantou, foi do agrado d’Ele ‘dar-vos o Reino’ e isso é maravilhoso”, concluiu Andréa Bastos.

06 de Janeiro – Dia de Nossa Senhora de Caná

O início do mês de janeiro guarda uma celebração de Maria ainda muito pouco conhecida no Brasil: o dia de Nossa Senhora de Caná em 06 de janeiro. Nessa data a Igreja universal celebra a Solenidade da Epifania com a grande festa dos reis magos que visitam o menino Jesus. O que pouca gente sabe é que o mistério da epifania, além da visita dos reis magos, ainda contempla mais dois acontecimentos: o batismo de Jesus e as bodas de Caná.

Na liturgia romana, o batismo de Jesus ganhou destaque com festa litúrgica celebrada no domingo seguinte ao da solenidade da epifania. Bodas de Caná também não foi esquecida, no calendário litúrgico do Ano C, o milagre de Caná é o tema litúrgico do 2º domingo do tempo comum, logo após a festa do batismo do Senhor. É uma forma de desdobramento desse grande mistério da epifania. Outro exemplo é o hino de vésperas depois da semana compreendida entre 2 e 8 de janeiro, o hino fala dessas três realidades: reis magos, batismo de Jesus e bodas de Caná.

Em 1986 quando foi lançada a 1ª edição vaticana das Missas de Nossa Senhora com os 46 formulários de missas dedicados à memória de Maria, no tempo do Natal, uma das celebrações sugeridas é a da Bem-Aventurada Virgem Maria de Caná no dia 06 de janeiro. Portanto, o dia de Nossa Senhora de Caná é 06 de janeiro porque esse dia é o dia por excelência das Bodas de Caná enquanto um dos mistérios que compõem a Epifania.

Mas como se desenvolveu essa devoção no mundo e como ela surgiu no Brasil?

É fato que após o Concílio Vaticano II em diversas partes do mundo começaram a surgir associações e movimentos relacionados ao Evangelho de Caná, talvez pela ênfase que o Concílio deu à Palavra de Deus e por ser essa uma devoção fundamentalmente bíblica. A América Latina foi a terra fértil onde o apelo de Paulo VI para uma redescoberta do culto a Maria encontrou grande acolhimento.

A primeira imagem da Virgem de Caná foi confeccionada em 1982 pelo já falecido sacerdote argentino Pe. Hector García, fundador do Movimento Evangelho de Caná na cidade de Rosario – Argentina. Além de Rosario, temos a devoção nos arredores de Buenos Aires na Paróquia Maria de Caná em Santo Isidro. Na Espanha, em Pozuelo de Alarcon – Madrid, temos a imponente Paróquia Santa Maria de Caná. Também temos imagens dela em Portugal e Estados Unidos.

No Brasil a devoção chegou há dez anos através de um projeto missionário nas periferias de Saquarema, região dos lados do Rio de Janeiro, que se propunha a visitar famílias para meditar com elas o evangelho de Caná. A invocação a Nossa Senhora de Caná surgiu antes da imagem e logo se difundiu chegando à capital fluminense. Hoje a Associação Missionária Servos de Maria de Caná, sediada na Arquidiocese do Rio, realiza uma importante missão, que é gerir a Capela de Nossa Senhora de Caná, única do Brasil, que fica localizada dentro de um shopping comercial.

Na Capela de Nossa Senhora de Caná, no Penha Shopping, temos a imagem oficial de Nossa Senhora de Caná do Brasil, que foi abençoada por Dom Alano Maria Pena em 2011 e que é rosa justamente para simbolizar a alegria da festa de Caná. A cor rosa na liturgia é usada nos domingos gaudete e laetare. A imagem tem duas talhas aos pés, que simbolizam o esposo e a esposa, já que Maria de Caná é padroeira dos cônjuges e protetora das famílias.

Um dos grandes ensinamentos que essa devoção e espiritualidade nos oferece é a necessidade de carregarmos com perseverança nossas talhas, confiando na intercessão de Maria e fazendo tudo o que Jesus nos pede. É uma devoção em franca expansão pelo Brasil: Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Maranhão. Uma curiosidade é que na grande solenidade da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida em 12 de outubro, a liturgia nos apresenta justamente o evangelho de Caná.

Que a Virgem de Caná, nossa Mãe Aparecida, continue providenciando para nós o vinho melhor da alegria e da paz. E que muitas famílias possam encontrar nesse evangelho um ânimo novo para suas vidas. Nossa Senhora de Caná, rogai por nós, que sempre precisamos de Vós.

Vinícius Paiva é leigo teólogo com especialização em mariologia pela Faculdade Dehoniana, associado da Academia Marial de Aparecida e fundador da Associação Missionária Servos de Maria de Caná.

Corpus Christi – Definição e História

Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.

É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma festa de ‘preceito’, isto é, para os católicos é de comparecimento obrigatório participar da Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.

A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, “para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo.” É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, não se ausente da diocese o Bispo (cân. 395).

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao Século XIII. A Igreja Católica sentiu necessidade de realçar a presença real do “Cristo todo” no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.

O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. Conta a história que um sacerdote chamado Pedro de Praga, de costumes irrepreensíveis, vivia angustiado por dúvidas sobre a presença de Cristo na Eucaristia. Decidiu então ir em peregrinação ao túmulo dos apóstolos Pedro e Paulo em Roma, para pedir o Dom da fé. Ao passar por Bolsena (Itália), enquanto celebrava a Santa Missa, foi novamente acometido da dúvida. Na hora da Consagração veio-lhe a resposta em forma de milagre: a Hóstia branca transformou-se em carne viva, respingando sangue, manchando o corporal, os sangüíneos e as toalhas do altar sem no entanto manchar as mãos do sacerdote, pois, a parte da Hóstia que estava entre seus dedos, conservou as características de pão ázimo.

Por solicitação do Papa Urbano IV, que na época governava a igreja, os objetos milagrosos foram para Orviedo em grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico. A 11 de agosto de 1264, o Papa lançou de Orviedo para o mundo católico através da bula Transiturus do Mundo o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor.

A festa de Corpus Christi foi decretada em 1264.

O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo…isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Neste Sacramento, no momento da Consagração, ocorre a transubstanciação, ou seja, o pão se torna carne e o vinho sangue de Jesus Cristo, em toda Santa Missa, mesmo que esta transformação da matéria não seja visível.

Corpus Christi é celebrado 60 dias após a páscoa. Podendo cair entre 21 de maio e 24 de junho.

Fonte: http://www.catolicismoromano.com.br/